Sob o título Libertação pelos Livros, um jornal gaúcho fez uma excelente matéria sobre a redução das penas para quem ler um livro. Diz a matéria que, em muitos Estados do Brasil, o projeto está avançando em passos mais rápidos do que no Rio Grande do Sul, onde a norma que possibilita a redução de quatro dias da condenação a cada livro lido ainda não está regulamentada. Já no Paraná, onde já está vigorando, é observada uma redução de 60% para 20% nos casos de reincidência entre os presos que leem durante o período no cárcere.
Em uma das penitenciárias gaúchas, a responsável pelo projeto de leitura entre presos não desistiu diante das dificuldades de toda ordem. Por iniciativa pessoal, juntou estantes velhas, como aquelas que a gente manda para os lixões, e deu para os presos reformá-las. Os livros foram adquiridos por meio de campanhas. Depois disso, lutou para que os presos pudessem ter o direito à leitura.
Mais dificuldades foram enfrentadas! Nas celas daquele presídio, a televisão está sempre ligada, dificultando a leitura. Então, um preso começou a ler em voz alta, irritando os seus companheiros. Para sanar os conflitos na cela, fizeram um pacto: todos os dias, às 18 horas, a televisão seria desligada e o momento seria de leitura em grupo. Ele lia e os outros escutavam. Era a hora da oração do livro.
Pensei que este método de leitura poderia ser adotado por todas as nossas famílias. Que tal desligar a televisão, durante uma hora, à noite, para fazer a leitura, em família, da Bíblia e outros romances ou ajudar as crianças a fazerem leituras para a escola. Afinal, não se perde nada com a televisão desligada.
Voltando ao caso, nota-se o engajamento de Magistrados para regulamentar o projeto. A Vara de Execuções Penais de Porto Alegre permite um dia de redução da pena para quem ler um livro de 300 a 400 páginas. Diz um apenado que a leitura lhe faz sair do mundo enjaulado e ter outra visão, não se deixando influenciar por outros.
A remissão da pena pela leitura e pelo trabalho ajuda a recuperar a dignidade que a sociedade sonegou a quem foi encarcerado ou mesmo antes disto. Assim, a dignidade concedida por Deus a todos os seres humanos, independente das nossas obras, deixa de ser um ideal abstrato.
No momento em que celebramos os 500 anos da Reforma, a ideia de liberdade defendida por Lutero precisa ser retomada insistentemente: o cristão é um senhor livre pela fé e, no amor, escravos de todos. Viver como escravo do amor pode ser muito perigoso. Veja a epístola de Paulo a Filemon a respeito do pedido em favor do prisioneiro e escravo Onésimo, escrita por Paulo, da cadeia.