Durante uma Assembleia Sinodal na qual eu participava, ouvi que, se as mulheres quisessem ser liderança na Igreja, deveriam participar mais efetivamente das suas Comunidades. Em outra ocasião, escutei que, em determinado local, mesmo o homem não sabendo escrever, ele havia assumido a Secretaria, mas era a sua esposa quem escrevia. Não faltam relatos, também, de a mulher ser chamada só para ‘cuidar da cozinha’. Além disso, há uma cobrança da sociedade em relação ao ‘papel da mulher’, fazendo com que ela se sinta culpada por deixar a casa e a família para atuar na sua Comunidade. Depois, vem a reclamação que as mulheres não assumem lideranças…
Quantas vezes os homens ficaram em casa, preocupando-se com os afazeres, como a sua esposa faz, de modo que ela possa participar ‘efetivamente’ da vida comunitária? Quantas vezes, nas Paróquias e nas Comunidades, há preocupação em se cumprir o que é preconizado nas normativas da IECLB sobre a participação das mulheres nas Diretorias? Para que haja uma mudança, há que se transformar conceitos arraigados na sociedade.
Quem de nós já não recebeu piadas, colocando homens e mulheres nos seus ‘devidos lugares’? Não são poucas as que tratam sobre a eterna briga entre os sexos: os homens são mais inteligentes, as mulheres falam muito, elas mandam é na cozinha e devem obedecer ao seu marido… Assim, conceitos equi vocados continuam se perpetuando. Para corroborar com essas ideias, não faltam interpretações, inclusive de partes da Bíblia, eternizando a ideia da mulher como alguém que deve ser ‘submissa’ ao seu marido.
Um exemplo clássico é o capítulo 5 do livro de Efésios. Entretanto, essa mesma passagem permite uma interpretação que, muitas vezes, deixamos escapar. A passagem bíblica versa, especialmente, sobre sujeitar-se uns aos outros no temor de Cristo (Ef 5.21). O que isso significa? Que homens e mulheres devem se sujeitar pelo amor e pelo temor a Deus e devem se permitir estar sob a mesma missão. A submissão, nesse sentido, é de ambos, não porque um manda e outro obedece, mas em virtude da relação entre Cristo e a Igreja (cf. Ef 5. 25, 29 e 32).
Quando isso efetivamente acontece, compreendemos o que está posto em Gênesis: Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 2. 27). Portanto, se a imagem de Deus está presente na mulher do mesmo modo que no homem, ambos são iguais perante o Pai e devem partilhar tarefas, valorizar-se, atuar um ao lado do outro e trabalhar sob a Missão de Deus, sem qualquer tipo de discriminação. Vamos estar, todos e todas, submissos e submissas à vontade do Pai: porque vós sois um em Cristo Jesus (Gl 3.28).