Todas as pessoas têm uma história. Aliás, a sua história. Verdade é que também temos uma história compartilhada, pelo lugar onde nascemos, pelos acontecimentos que marcaram aquele tempo específico, pelas pessoas que lá estavam e que deixaram marcas na nossa vida. Carregamos muitas coisas conosco e sequer nos damos conta. Muito bem, ‘dar-se conta’ é uma experiência também muito importante. Lidar com a história é instigante e apaixonante, pois revisamos as nossas próprias experiências, mesmo quando falamos sobre algo que, à primeira vista, parece tão distante de nós.
Revirar o passado que tem uma ligação mais intrínseca conosco é ainda mais salutar, como estamos fazendo agora, com o nosso passado luterano do século XVI! Há, no entanto, outra coisa que o ‘mexer nos baús da história’ nos dá: a realidade do nosso presente! Explico: quando lidamos com o passado, de alguma forma, ficamos mais antenados com o presente. Revirando as nossas entranhas, não só ficamos mais ligados ao presente, mas ativamos as novas rotas para o que há de vir! Dessa forma, lidar com o nosso passado abre novas perspectivas para o presente e o futuro. Mais: convida a olhar também para os ‘links’ que a nossa história traz, como, por exemplo, que, na IECLB, temos muito de imigrantes e de migrantes!
A pergunta que nos alcança é: como foram tratados os imigrantes europeus que aqui chegaram? Já a pergunta que não quer calar agora, no nosso presente é: como tratamos outros imigrantes, como os nossos antepassados, que agora chegam do Haiti, da Síria, etc? Estamos antenados com a relação que a nossa história traz? No, Brasil, como se deu a nossa história até aqui? O que fizemos com os povos indígenas? O que fizemos com o povo negro? Como aconteceu a Independência do Brasil?
Jesus ousou ler a sua própria história com outros olhos, a partir dos lugares onde ninguém esperava, daqueles que se encontravam derrotados, mas que ainda tinham voz, pelo menos para clamar! O nosso Senhor de Nazaré também tratou de fazer uma história do silêncio, dos que foram calados. O resultado foi surpreendente!
Temos coragem para descobrir os que clamam, a história dos silêncios que, como diz o salmista, se ‘ouvem’ pelos quatro cantos da terra? Teremos coragem para fazer a pergunta de Deus a Caim: ‘Onde está teu irmão’?
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça
P. INÁCIO LEMKE
Pastor
2º Vice-Presidente da IECLB