Depois da Bênção, o Culto continuou no lado de fora do templo, enquanto esperávamos pelo almoço comunitário no domingo do Bom Pastor. Enquanto homens e mulheres de boa vontade se dedicavam aos preparativos, como um ato de fé na prática, os impactos da Prédica sobre o Bom Pastor (João 10), que dá a sua vida pelas ovelhas e não entra pela porta dos fundos do curral, eram comentados por um fiel membro da nossa Igreja.
O Motorista aposentado, que se orgulha da sua filha ser Professora em uma escola municipal, chegou-se a mim e a outro colega com uma frase de forte indignação: ‘Vocês, que são ‘Pastores de verdade’, expliquem a razão de Pastores da nossa Igreja apoiarem medidas do Governo Federal que vão prejudicar a maioria do povo brasileiro?’. Ele fazia referência à Reforma da Previdência, à Reforma Trabalhista e a outras medidas de limitação de gastos com saúde e educação por 20 anos. ‘Eu já estou aposentado, mas, se o meu neto se aposentar, terá quase 70 anos e sem os direitos que tenho hoje’, desabafou o membro, que acompanha as Redes Sociais.
O colega lembrou que a Direção da nossa Igreja publicou um posicionamento sobre o momento em que vivemos e este dava razão à indignação daquele fiel membro da IECLB.
Não podemos tomar como único critério de avaliação ‘a política’ para distinguir o bom Pastor do mercenário. Também é verdade que o Evangelho não é partidário em termos políticos, mas ele tem profundas implicações na vida das pessoas e do povo. Lutero fez a pergunta fundamental pela salvação e dela desdobrou muitas prédicas e cartas contra a usura (hoje, juros abusivos) e pediu que Prefeitos construíssem escolas públicas.
Profetizar contra os Pastores de Israel não foi tarefa fácil para Ezequiel. Ai dos Pastores de Israel que se apascentam a si mesmos, que se alimentam do leite do rebanho e se vestem com as suas lãs, roubando, assim, o que é do povo. Para Ezequiel, os Pastores são os Governantes que serão destituídos por não pastorearem e Deus vai suscitar alguém para apascentar o seu povo.
Jesus é o Bom Pastor. Liderança nenhuma, religiosa, política ou comunitária, pode sentar no seu lugar. Mesmo assim, o seu pastoreio é critério de liderança, pois deu a vida fazendo das ovelhas desgarradas um povo. Diante dele, qualquer liderança deve-se perguntar: Sou Pastor ou mercenário? Fui democraticamente escolhido para a função de liderança ou entrei pela porta dos fundos? Como fui eleito? Há muitas formas de propinas e ‘caixa dois’, além do dinheiro, nas escolhas de lideranças em qualquer espaço público e nas Comunidades em geral.
O Bom pastor dá a vida pelo povo. Não cobra propina nem dízimos. Eis o critério para qualquer liderança em todas as organizações da nossa sociedade.