Em maio deste ano, grande parte do povo brasileiro começou a enxergar situações estarrecedoras. Até aquele momento, as pessoas pensavam que havia um partido político vilão na história da corrupção do país e os outros seriam inocentes. Quando começaram a ver aquilo que até então a mídia não mostrava, muitas ficaram indignadas, sentindo-se enganadas. Ora, as pessoas não viam, pois esse talvez fosse o interesse da grande mídia, afinal ela propõe e quase impõe o que as pessoas devem ver e, portanto, acreditar, pois detém uma importante ‘arma’: o modo como a população enxerga. É por isso que muitas pessoas terminam aceitando o que é mostrado como sendo verdade, não duvidam e não questionam, pois ainda vivemos a situação que ‘basta passar na televisão para ser verdade’.
Jesus era visto como alguém com autoridade. As pessoas mais simples acreditavam nele, especialmente porque ele estava ao lado delas, ao lado das excluídas, daquelas que estavam à margem da sociedade. Cristo não estava ao lado de quem detinha o poder. Pelo contrário, Jesus as questionava. Ele não se subjugou! Ao contrário, confrontou verdades que eram repassadas ao povo como sendo imutáveis e serviam apenas aos ‘escolhidos’.
Assim, precisamos aprender com Jesus! Faz-se necessário questionar e duvidar da mídia, porque esta esteve e está a serviço das pessoas poderosas, as que a finaciam, que ‘pagam a conta’. Como Jesus enfrentaria, hoje, o chamado ‘Quarto Poder’? Vou tentar imaginar algumas atitudes do Mestre: 1) Levaria o povo a perceber que a mídia sempre esteve a serviço das pessoas ponderosas, que ela joga com as informações para fazer do povo massa de manobra e que, portanto, as pessoas deveriam duvidar do que ela expõe; 2) Questionaria o padrão de beleza e de vida que ela imprime à população, mostrando que todas as pessoas são filhas amadas por Deus, independente daquilo que se impõe como modelo a ser seguido; 3) Mostraria que o verdadeiro amor não está na tela da TV, mas se concretiza na diaconia, no amor ao próximo, no amor familiar, na presença física, no abraço fraterno, na conversa que acolhe e aproxima as pessoas; 4) Enfrentaria e expulsaria os mercadores, conforme fez no templo (Jo 2.13-22), pois, naquele local, o que ocorria legitimava um sistema que atendia às pessoas poderosas tanto econômica como ideologicamente. Hoje, essa história continua se repetindo com o apoio da mídia e, por isso, precisa ser questionada, enfrentada e combatida.
Precisamos rever os nossos conceitos e escutar a voz da autoridade que vem de Jesus, daquele que veio para mostrar que há outra proposta de vida, que inclui todas as pessoas, que preconiza a justiça social, que duvida e questiona as verdades da aldeia midiática global que atende a uns poucos ‘escolhidos’.