Pais e filhos, uma relação de amor e respeito
Ijoni Jurema Michaelsen, Professora aposentada. Atua como Representante do Sínodo Nordeste Gaúcho no Conselho da Igreja
É difícil falar em respeito e compromisso em uma época na qual parece haver uma inversão de valores, quando conceitos estão mudando e muitas famílias não são mais como as que conhecíamos tradicionalmente.
Vemos desrespeito em tantas circunstâncias: de jovens para com os mais velhos, de alunos para com os seus Professores e por aí vai. Entretanto, também ficamos sabendo sobre pais desrespeitando os seus filhos e insanidades em muitos lares, como pais e padrastos estuprando e ou espancando filhos e filhas, mãe jogando o seu filho pela janela, pais e mães abandonando as suas crianças para viver uma aventura com uma nova parceria.
Como estes pais e mães poderão ser honrados e respeitados? Quais são os ensinamentos, os exemplos que estão transmitindo? Vale lembrar que é no lar que a criança adquire as primeiras noções de respeito, de deveres e também de direitos.
Olhando o Quarto Mandamento, constatamos que diz Honrarás o teu pai e a tua mãe, para que vás bem e vivas muito tempo sobre a terra. Lutero, na sua explicação ao Mandamento, exorta os filhos a não desprezarem nem irritarem os seus pais, mas honrálos, obedecê-los, amá-los e querê-los bem. Esta exortação não é só de uma via. Pais também devem honrar, amar e querer bem aos seus filhos e às suas filhas. Pais devem ser dignos de serem honrados.
Filhos e filhas necessitam de amor e atenção. A família deve ser o lugar para o encontro de amor, compreensão, justiça, afetividade, harmonia, em que as crianças e os adolescentes merecem ser ouvidos, respeitados e amados. Os nossos filhos, as nossas filhas não nascem amando. Precisam aprender a amar. Eles o fazem especialmente a partir da vivência do dia a dia e do exemplo.
A convivência de gerações nem sempre é fácil. Para as pessoas de mais idade, muitas vezes, é difícil acompanhar a evolução. Os mais jovens não conseguem entender certa lentidão da geração dos seus pais ou avós. Para haver entendimento, é necessário muito diálogo. As crianças têm necessidade de receber atenção e amor. O lar é o primeiro ambiente de proteção onde se desenvolve o ser humano. Cabe aos pais indicar os caminhos, instruir os seus filhos, as suas filhas na verdade e no amor de Deus.
Cito uma frase do renomado Psiquiatra Içami Tiba, compartilhada nas Redes Sociais: pais que levam os seus filhos à Igreja não vão buscá-los na prisão. Em um lar nem tudo são flores. Há também momentos de desentendimentos, brigas, erros, desavenças, mas, onde Deus está presente, há mais diálogo, compreensão, respeito e os confl itos são mais facilmente resolvidos. Os pais devem ter presente que colherão o que semearem. ‘Os filhos tornam-se para os pais, segundo a educação que recebem, uma recompensa ou um castigo’. Finalizo lembrando que a autoridade dos pais não quer ser expressão de domínio e exploração, mas de amor, serviço e dedicação para com os seus filhos e as suas filhas.
Para refletir, leia Efésios 6.1-4
Filhos e pais, uma relação de amor e respeito
Marcos Lichtblau, Empresário, Mestre em Engenharia Mecânica. Atua como Representante do Sínodo Centro-Sul Catarinense no Conselho da Igreja
Completaram-se três meses que os israelitas haviam saído do Egito, tendo eles chegado ao deserto do Sinai (Ex 19.1). Ali Deus fala com eles por meio de Moisés, com sinais impressionantes da sua presença. Depois de dar Três Mandamentos referentes à relação com Ele próprio, (I) que nele confi emos de todo o coração, o temamos e amemos em toda a nossa vida, (II) que não façamos mau uso do seu santo nome para mentir ou praticar outros malefícios, mas o usemos para o louvor a Deus, para o bem e a felicidade do próximo e de si próprio, e (III) que durante o repouso se trate e promova a Palavra de Deus, para que toda a nossa ação e vida se orientem por ela, seguem então outros Sete Mandamentos voltados à relação com o próximo, dos quais destaco o primeiro deles, que diz: Respeite o seu pai e a sua mãe, para que você viva muito tempo na terra que estou lhe dando (Ex 20.12).
Este Mandamento nos fala sobre os pais, a terra e a permanência da vida na terra, estabelece o núcleo da ordem social que Deus projetou para o seu povo, recém-tirado da escravidão no Egito e a caminho da terra prometida, instituindo a relação das gerações, a comunidade da família, como uma ordem desejada e protegida por Deus, defi nindo a terra como espaço vital do povo.
Israel (no tempo do Antigo Testamento) e a Igreja Cristã – a comunhão dos santos – (no nosso tempo) estão aí para refletirem a luz de Deus para os povos. Para a Igreja, portanto, é valor fundamental a defesa da família como o núcleo de toda a ordem social.
Jesus levou o Deus de Israel aos povos. Ao dizer, em Marcos 3.34s, Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe, ele não quer abolir a família, porém criar um novo e amplo espaço para ela. Decisiva é a comunhão de vontade com Deus, oferecida por Jesus. A partir dela, os homens são livres para reconhecer o que em uma ordem política e social é adequado a esta comunhão de vontade, para assim configurar inclusive os ordenamentos jurídicos.
Com Lutero, no Catecismo Maior, aprendemos que o respeito aos pais é apreço acima de tudo, como o maior tesouro depois de Deus. Ele nos exorta a sermos respeitosos nas palavras, deixá-los ter razão, calar-nos, mesmo que se excedam. Mais além, ter consideração pessoal, ajudar, cuidar quando idosos, enfermos, alquebrados, pobres, não só de boa vontade, mas com humildade, com reverência. Lutero ensina que quem sabe tê-los no coração não os deixa passar necessidade. Sou muito grato a Deus pelos meus pais, a Noris e o Sico, pais dedicados e amorosos, exemplo e inspiração para mim, a minha irmã, Iara, e as nossas famílias. Deus quer abençoar-nos com idade avançada, saúde, cônjuge e filhos, trabalho digno e sustento, paz, bom governo. Isso passa pela forma como nos relacionamos com os nossos pais. Que Deus nos ajude nisso! Amém!
Para refletir, leia Marcos 3.34s